SAUDADES
Quantas saudades do que jamais conheci.
De andar a cavalo, dançar na chuva de rostos colados.
Sinto saudades do cheiro do mato, de chuva na terra.
De chuva no corpo suado.
Tenho saudades dos gostos.
Da fruta do pé, da comida na lenha,
Da água da mina, da goiabada com queijo,
Do beijo roubado, do abraço apertado.
Tenho saudades de um rosto.
De um rosto amigo e amado,
Do moreno do mato, de carinhos fartos,
De um sorriso largo, e olhares raros.
Tenho saudades de noites estreladas,
Da lua encantada, saudando a alvorada,
Do sol de verão, de andar descalça na terra molhada,
Tenho saudades de coisa simples, coisas da terra,
Coisas de um mundo, um mundo feliz.
ENEIDA LOPES

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